Aline em Paris
Agosto de 2026
Como disse na última crônica, parte da viagem ficaria pra depois. E cá estou. Só esclarecendo, o Alessandro estava comigo, mas impossível não parafrasear o título daquela série que, aliás, ainda não assisti.
Estivemos lá, pela terceira vez. Nas duas primeiras vezes, partia com gostinho de quero mais, então aproveitamos mais essa possibilidade.
Na primeira, em 2012, foi bem marcante, até porque foi a primeira cidade europeia onde pus os meus pés. Na primeira noite, já tive um grande impacto, ao visitar o Arco do Triunfo e a Champs-Elyséss. Impossível não se impressionar!
Em quatro dias, estivemos no Museu do Louvre, Museu d’Orsay, Centro Georges Pompidou. Nunca havia estado em museus tão grandes! Já tinha um interesse por arte, mas a partir dali ele se potencializou.
Claro, demos um alô para a Catedral de Notre Dame, Torre Eiffel e Rio Sena. E andar pelas ruas, observando a arquitetura, me tocou bastante!

A segunda vez só se deu 12 anos depois, em 2024. De novo o Louvre, dessa vez com filas bem maiores. Agora, com um olhar mais crítico com relação à coleção de arte das civilizações antigas, herdadas de um passado colonizador e obscuro. Por isso e pelo fato de o museu ser enorme, priorizamos novamente a Galeria Renascentista, e mesmo assim deparei-me com obras não vistas anteriormente, e todas sempre me emocionam. Aliás, da primeira vez, me impressionei com o olhar da Mona Lisa; da segunda, impossível me aproximar.
Visitamos em duas exposições no Pompidou. Estivemos no Museu Marmottan, com nome engraçado para a nossa língua, que se trata de um casarão adquirido pelo colecionador Jules Marmottan, no século XIX. Anos depois, Michel Monet, filho do pintor impressionista, doou mais de cem obras do pai. O lugar é um encanto!

Nem só de museu vive um casal. Fomos à Livraria Shakespeare and Co, aos jardins das Tulherias e Luxemburgo, à loja da Lindt, a um show de jazz. Também passamos pela Basílica Sacré-Cœur e descemos por Montmartre. E nos hospedamos no 18th arrondissement, em uma área mais habitada por imigrantes e descendentes, especialmente árabes e africanos, que oferecem vários serviços de hotelaria, alimentação, comércio em geral. O que ampliou o meu conhecimento sobre a cidade.
Enfim, neste ano, estivemos em Paris pela terceira vez. Aproveitamos para conhecer novos lugares. O Museu l’Orangerie, com as imensas e belíssimas Ninfeias, de Monet, e obras do modernismo europeu. Fomos ao Grand Palais, para ver a exposição temporária de Henri Matisse. Do Louvre, só vimos os fundos.

Fizemos o passeio no Palácio de Versalhes o que, sinceramente, achei bem cafona! É bonito e tal, quando se chega é difícil não ficar impactada com a fachada. Mas ostensivo demais, coisa de realeza deslumbrada com a riqueza que acumulou por meio de impostos abusivos contra a população e da exploração colonial. Mesmo assim, foi legal passar pela Galeria dos Espelhos, e pelos quartos ocupados pelos reis e rainhas absolutistas, cenários de muitos filmes. Gostei mais e bastante dos jardins, e foi divertido ver a fonte dançante! O atendimento deixou a desejar, com funcionários impacientes. Achei bem limitada a infraestrutura para receber os visitantes, com poucos lugares para comer e se sentar. O palácio tem uma relevância histórica inquestionável, foi bom conhecer mas, pra mim, já tá de bom tamanho.
Conhecemos também o Marché aux Puces de Saint-Ouen, ou Mercado de Pulgas, o maior mercado de antiguidades do mundo. São vários antiquários, sebos, lojas de vinis e CDs, brechós. De lá, trouxe um brinco de pedras que me custou um rim, mas é puro charme (rs). Foi bom ter visitado o lugar, próximo à estação de Porte de Clignacourt. O que eu vi na região passa longe do glamour das áreas mais famosas de Paris. Muita gente na luta pela sobrevivência e, infelizmente, muitos morando debaixo da ponte. Provavelmente, imigrantes ou descendentes, a maioria composta por pessoas negras. Uma desolação de se ver em qualquer lugar do mundo!
Os franceses têm fama de grosseiros, mas das duas últimas vezes, não tive nada a reclamar (na primeira, deparei-me com figuras toscas). Fomos a um restaurante que, além de servir uma comida deliciosa, contava com um garçom muito eficiente e um dos mais simpáticos que conheci na vida. A propósito, Le Bistrot Du Perigord, uma indicação, principalmente para quem gosta de pato.

Senti falta de cafeterias. Em Paris, há muitos restaurantes, mas ao menos nas áreas onde estive, foi mais difícil fazer um lanche rápido. Aliás, mesmo olhando no google, até hoje não entendi, localmente e na prática, a diferença entre restaurante, café, bistrô, brasserie, he he.
Muitos devem questionar o motivo de eu gostar tanto de Paris e porque voltamos lá. A cidade entrega vários aspectos que me são atrativos. A quantidade e variedade de museus, a história, a arquitetura, a comida, a diversidade cultural. Mas, principalmente, o estilo de vida que eles levam. Apreciadores de comidas e vinhos, desfrutam as coisas boas da vida (para mim) sem pressa e sem neura. Você passa nos jardins, no meio da tarde, e se depara com vários habitantes em cadeiras ou espreguiçadeiras, pegando sol, apreciando a passagem, lendo livros.

Claro, há muito o que conhecer por lá, para o bem e para o mal. Não tenho ilusões quanto à cidade, que também convive com suas mazelas. Com certeza, espero ter outras oportunidades para voltar, nessa vida. Mas por ora, tem muito lugar legal nesse mundão para eu conhecer. Paris, agora, pode esperar. Ou não.



Viva Paris! Paris é uma festa! Ainda mais com um texto saboroso assim!