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Novas Experiências no Velho Mundo

  • Foto do escritor: Aline Brettas
    Aline Brettas
  • há 3 dias
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 7 horas

Julho 2026



Uma viagem, muitas experiências. É tanta coisa pra contar, mas algumas histórias permanecerão apenas na minha memória. Outras, divido aqui com vocês. Como diz aquele programa simpático de uma certa TV pública, senta que lá vem história!


Roma, a história da arte em uma cidade

 

Foi a segunda vez que estivemos lá. Na verdade, foi porta de entrada e saída para a Europa, mas aproveitamos pra ficar um pouquinho mais.

 

Impossível ficar indiferente ao centro histórico da cidade, com suas edificações e monumentos, vias, fontes, praças, igrejas. Além da Fontana de Trevi, anteriormente conhecida por nós, estivemos na Piazza Navona, com a belíssima Fontana dei Quattro Fiumi, projetada por Bernini. Felizmente, ainda não se cobra ingressos pra tirar foto por lá, ao contrário da de Trevi (sim, estão fazendo isso e muita gente faz fila e paga).



Numa rua qualquer de Roma. Foto: acervo pessoal.
Numa rua qualquer de Roma. Foto: acervo pessoal.

Tiramos um dia também para conhecer o bairro Salario, que abriga belos edifícios, mais recentes para os padrões romanos. São de inspiração neoclássica. Pelo fato de a área não ser tão turística como o centro, podemos conhecer bons restaurantes que atendem o público local.

 

Um passeio memorável foi um tour, por conta própria e quase de improviso, por igrejas que abrigam obras clássicas da Renascença e do Barroco italianos. Em Cavour, estivemos na Basílica de São Pedro Acorrentado, onde apreciamos a Moisés, de Michelangelo. Foi emocionante a proximidade com a escultura, com toda a perfeição e grandiosidade próprias do artista! Depois, já no centro histórico, passamos na Igreja de São Luís dos Franceses e na Basílica de Santo Agostinho, para contemplar quatro pinturas de nada menos que Caravaggio! E tudo isso, de graça!


Um detalhe curioso é que alguns templos romanos abrigam esculturas de caveiras, simbolizando a morte (ou transformação, quem sabe). Como disse o Alessandro, são igrejas heavy metal!


Crânio alado na Basílica Santa Maria sopra Minerva. Foto: acervo pessoal.
Crânio alado na Basílica Santa Maria sopra Minerva. Foto: acervo pessoal.

 

Para os apreciadores da história da arte, como eu, Roma é um prato cheio! Mas a cidade oferece atrativos para todos os públicos, com sua oferta gastronômica de pizzas, massas, sorvetes, vinhos, limoncellos. E ruas charmosas e o sotaque e trejeitos maravilhosos dos italianos.


Nas bancas de Roma. Foto: acervo pessoal.
Nas bancas de Roma. Foto: acervo pessoal.

Berlim, a cidade que impressiona

 

Berlim é uma cidade foda!

 

Em um primeiro momento, não se percebe o charme de outras capitais europeias. Uma grande área da cidade – Potsdamer Platz – conta com prédios modernos e arrojados, ao contrário das outras, que se destacam pelos edifícios históricos. Mas foi lá, em Potsdamer, que conhecemos o Kulturforum, um conjunto de galerias de arte, bibliotecas, a sede da Filarmônica de Berlim. Conhecemos a Neue Nationalgalerie, com sua coleção de arte moderna e expressionista; e a Gemäldegalerie, com obras da Renascença e Barroco, dentre elas de Caravaggio, Botticelli, Rafael, Rubens e outros notáveis. Também fomos surpreendidos por uma igreja protestante fundada no século XIX, São Mateus, progressista e que exibe em suas janelas símbolos LGBTQIAPN+.


Os outros e eu, na Gemäldegalerie. Foto: acervo pessoal.
Os outros e eu, na Gemäldegalerie. Foto: acervo pessoal.

Foi impactante ver trechos do antigo Muro de Berlim, sendo que o maior se tornou um grande mural de arte, o East Side Gallery, como prova da ressignificação radical de símbolos e o dinamismo da História.


Não poderia deixar de conhecer a Ilha dos Museus. Estivemos no Bode-Museum, cujo nome que nos remete à quinta série é do primeiro curador do espaço, Wilhelm von Bode. O museu é lindo por dentro e por fora, com um rico acervo de esculturas medievais, arte bizantina e moedas. Não é tão midiático quanto o Louvre ou o Britsh Museum, e assim podemos apreciar as obras com calma.


Na referida ilha tivemos algumas surpresas bem agradáveis. Um “flash mob” composto por fãs de Bonnie Tyler e Madonna, que com fones de ouvido fosforescentes cantavam, com euforia, as músicas de suas divas. A outra foi uma festa de música eletrônica e gratuita na Universidade de Humboldt. Embora não seja o meu gênero preferido, o som estava ótimo!

 

No mais, valeu passar pelos espaços turísticos clássicos, como o Memorial às Vítimas do Holocausto, o Portão de Brandemburgo, o Reichstag, a Torre de TV. E andar pela margem do Rio Spree e Under der Linden, apreciando a paisagem urbana, tradicional e moderna ao mesmo tempo.


Vista de Berlim da Torre de TV. Foto: acervo pessoal.
Vista de Berlim da Torre de TV. Foto: acervo pessoal.

 

Berlim é multicultural, onde tem gente de tudo que é canto, o que torna a cidade ainda mais especial e inovadora. Um aspecto interessante é o fato de não precisarmos passar pela catraca para utilizar o metrô. O cidadão precisa comprar o ticket e validá-lo em uma maquininha encontrada nas estações. Tudo na base da confiança.



Alessandro e U2 na estação de metrô. Foto: acervo pessoal.
Alessandro e U2 na estação de metrô. Foto: acervo pessoal.

 

A comida não é lá das minhas preferidas, mas lá tem restaurante do mundo todo. E assim tive a oportunidade de experimentar cozinhas vietnamita e persa, tudo de bom!


Praga, a bela

 

Linda! Até hoje, a cidade mais linda que conheci!

 

A Old Prague, através das igrejas, sobrados, domos, castelos, com elementos ocidentais e orientais, nos propicia uma viagem no tempo!


Numa praça qualquer de Praga. Foto: acervo pessoal.
Numa praça qualquer de Praga. Foto: acervo pessoal.

 

Passar pela Ponte Carlos com suas esculturas barrocas já é um atrativo e tanto (me lembrei da Basílica de Congonhas, acreditam?). A Igreja de São Nicolau é uma obra-prima! O Castelo de Praga e a Catedral de São Vito valem cada momento e centavo da visita.


Na Catedral de São Vito. Foto: acervo pessoal.
Na Catedral de São Vito. Foto: acervo pessoal.

Claro que fomos ao Museu Kafka, e é curioso como o sorumbático e genial escritor se tornou celebrado na cidade, tendo sua imagem em espaços culturais, esculturas e claro, souvernirs.



O mundo de Kafka. Foto: acervo pessoal.
O mundo de Kafka. Foto: acervo pessoal.

 

Um lugar, descoberto por acaso, e que amei, foi o bairro histórico judaico de Praga, com seus magníficos edifícios em estilo Art Nouveau. Foi onde comemos no restaurante Golem, de saborosa comida judaica e tcheca, e com a equipe mais divertida de toda a viagem, composta por thecos e por uma equatoriana que mora em Praga e aspira viver em Amsterdam, adorei! Perdemos as sinagogas, nem tudo é perfeito!

 

E já estava esquecendo do relógio astrológico! Que lindeza, e que exemplo de preservação do bem material e do imaterial, afinal o ofício de sua manutenção deve ter sido repassado por inúmeras gerações!

 

Nunca vi tanta gente loira na minha vida! E muitos grupos de jovens, praticamente adolescentes. Não entendi nada do que eles falavam, mas pareciam bobos! Aparentavam ter uma ingenuidade incomum nos jovens de hoje. Sei lá, foi uma impressão!

 

Apesar de ser a menor cidade em que estivemos, foi a única que nos agraciou com um programa noturno, no Agharta Jazz, estabelecido em um porão medieval. Tudo de bom!


Então...

 

Embora tenha destacado os aspectos mais fascinantes, são capitais que não estão livres de problemas, inclusive no que diz respeito à desigualdade social. Há moradores de ruas em todas elas.

 

Tivemos contato com taxista grosseiro em Roma, e atendentes secos ou mal-humorados em Berlim.


Os centros históricos de Roma e Praga estão cada vez mais abarrotados de pessoas, o que fomenta uma estrutura fortemente comercial para atendê-los, com uma infinidade de restaurantes caça-turistas, lojas dos mais variados produtores, docerias, souvenirs etc. Não sei como isso está impactando o custo de vida e o cotidiano dos moradores.

 

Roma estava muuuito quente! Tivemos sorte nas outras cidades, que estavam com temperaturas mais tranquilas. Em Praga, fez até um friozinho gostoso.

 

Mas é isso, cada cidade é especial ao seu modo, e de lá levo ótimas lembranças e vontade de retornar, se tiver oportunidade.

 

E tem mais uma coisa que deixou essa viagem ainda mais profunda. Não postei nas redes sociais, inclusive sem acessá-las. Assim pude estar mais presente, vivendo todos os momentos, em seu devido tempo.

 

Bom, ainda não falei de Paris. Ah, vai ficar para a próxima crônica!

 
 
 

1 comentário


Alessandro Esteves
Alessandro Esteves
há 3 dias

Um roteiro de viagem com texto saboroso! Como disse a autora, de forma singela, Berlim é foda! Assim como toda a viagem foi!

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