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Duas faces de Santa Teresa

  • Foto do escritor: Aline Brettas
    Aline Brettas
  • 1 de mar. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 13 de mar. de 2022

13 de fevereiro de 2022

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Foto: acervo pessoal.


Quem me acompanha no Instagram já deve ter percebido minha empolgação com Santa Teresa. Charmosíssimo bairro do Rio de Janeiro, que aliás parece ser mais conhecido pelos turistas do que pelos próprios cariocas.


É um lugar marcante pela sua arquitetura histórica, pelo simpático bondinho, pela culinária diversificada produzida pelos bares e restaurantes. Suas ruas são permeadas por uma densa mata e vistas encantadoras. E várias outras coisas: museus, ateliês, galerias, hotéis e hostels, até mesmo alguns castelos.


Já conhecia o bairro antes de 2020, mas como uma vizinha turista. Com a pandemia, por ser um lugar com pouca movimentação de pessoas no início do dia, descobri a área para fazer boas caminhadas. Comecei a passar por suas ruas e ladeiras, sozinha ou em companhia, descobrindo belezas e singularidades nos detalhes, percebidos além da zona turística.


Lamentavelmente, a região é próxima a morros perigosos, o que amedronta parte da população. Por vezes e por medo, taxistas e motoristas de uber resistem em ir ao local (como se o restante da cidade fosse um reduto de segurança e civilidade…), o que cria bastante constrangimentos aos moradores.


Mas enfim, nada que me impedisse de praticar minhas perambulações no lugar e, mesmo com alertas de amigos, quase sempre levando o celular para fazer os meus registros.


No início da semana passada, estava voltando de mais uma caminhada e, muito confiante, carregando comigo o fone de ouvido, além do celular. Ouvia uma live sobre a escrita, e justamente pensava em escrever uma crônica sobre minhas andanças em Santa Teresa.


Foi quando um rapaz, de moto, me cercou. Procurei me desvencilhar, olhei ao redor para tentar algum apoio, mas em vão. Havia algumas pessoas mais à frente, alheias ao que se passava. Entreguei minha pochete com meu celular e o fone de ouvido.


É, a vida veio e me deu um tapa na cara! Em segundos, migrei de uma Santa Teresa lúdica para a Santa Teresa real. Até que agi com uma certa tranquilidade. Tive vontade de jogar o vidro de álcool gel na cara dele, mas escolhi a prudência, por opção ou paralisia, não sei. Às vezes, me pergunto se poderia ter reagido de alguma forma, gritado, até porque não vi se ele estava armado. Porém, antes perder o celular e evitar a intempestividade (nesta situação) a perder a vida ou a saúde.

Os dias a seguir, claro, foram aquela chateação: bloquear o celular, encomendar outro aparelho, providenciar o BO através de um “maravilhoso” atendimento na delegacia, esperar por horas na loja da Claro pra obter um novo chip. Até hoje, configurando aplicativos, recuperando senhas antigas e criando novas. Felizmente, com a parceria do meu companheiro Alessandro.


Não pretendo deixar de fazer meus passeios por lá, mas por enquanto vou dar um tempo, até pra pensar em como fazer e também, caminhar por outros caminhos e descobrir novos lugares e alternativas.


De qualquer modo, já estive lá hoje. Acompanhada. Descobrimos novas ladeiras e divertidas intervenções urbanas.

Santa Teresa me mostrou duas faces, mas não quero deixar a sombria suplantar a luminosa. Aliás, a coexistência dessas duas faces não é o que está no interior de todos nós?


 
 
 

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